Depois de uma longa jornada e de um trabalho árduo de adaptação escolar nos deparamos, com novos desafios, pois as crianças estão em constante aprendizado e crescimento, e cabe a nós, pais, estarmos sempre próximos e atentos a essas mudanças.
Uma etapa muito complicada e comum aos pequenos em especial entre 1 e 3 anos é a fase das mordidas. Nesse artigo buscarei esclarecer algumas dúvidas e principalmente tornar de conhecimento de todos o que podemos fazer para ajudar nossos filhos.
Há um período na infância em que comumente vemos crianças dando mordidas ao primeiro sinal de estresse. Isso porque nos primeiros anos de vida, as crianças passam pelo que Sigmund Freud chama de fase oral. Esse estágio é o mais primitivo do desenvolvimento, quando as necessidades, percepções e modos de expressão da criança estão originalmente concentrados na boca, lábios e língua. As crianças que se encontram nesta fase ainda não verbalizam com fluência, e a linguagem do corpo acaba sendo a mais rápida e eficaz. Nesta idade a criança é egocêntrica, o que significa que o mundo funciona e existe por causa dela. Portanto, no seu entender tudo que deseja deve ser prontamente atendido e, quando isso não ocorre... Nhack!
Outro grande problema que temos presenciado muito entre as famílias, são os pais brincando com os filhos usando a boca, dando pequenas mordidas nos mesmos, fazendo barulhos, etc. Essas atitudes não são erradas, mas podem confundir as crianças, o que as fazem reportar para outras crianças as mesmas brincadeiras, porém podendo machucá-las, já que ainda não possuem domínio da força da mandíbula. As famílias devem se conscientizar que essas brincadeiras, apesar de trazerem sentimentos positivos, podem causar atitudes de agressividade na criança, que ainda não controla seus impulsos e não sabe distinguir o certo e o errado.
A mordida na escola é uma situação constrangedora para todos os envolvidos. Os pais da criança mordedora sentem-se muito mal, ficam envergonhados, os pais da criança machucada ficam chateados com a dor do filho. Já a escola, por sua vez, tem a difícil tarefa de mediar as relações entre os alunos e seus familiares, a fim de amenizar os sentimentos negativos da situação.
Seja dentro de casa, no parquinho ou na escola, devemos criar situações em que se estabeleçam limites, mostrando para as crianças que elas devem respeitar os amigos, tratá-los bem, com carinho, e mostrar que a criança machucada fica triste, e chora por ter sentido dor.
Aos poucos, as crianças vão apreendendo esses conceitos e descobrindo outras formas de sentir prazer.
A passagem desta fase acontece de forma gradativa, quando a criança sai do egocentrismo e começa a descobrir o prazer de brincar com o outro. Quando se inicia o processo efetivo de socialização e conforme as crianças crescem, elas aprendem a controlar suas emoções e se expressar através da fala, deixando então a mordida de lado.
O IMPORTANTE É QUE TANTO OS PAIS COMO A ESCOLA SAIBAM USAR ESTE MOMENTO PARA ENSINAR A CRIANÇA REGRAS DE CONVIVÊNCIA SOCIAL.
Apesar de, na maioria das vezes, a mordida fazer parte do desenvolvimento natural da criança, como psicóloga, devo alertar que em alguns casos este comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional. Portanto, se as mordidas passam a ser frequente, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa, com sentimento de rejeição, e por isso tenta chamar a atenção através da agressividade. Quando isso acontece, a família e a escola precisam acompanhar de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas. E dependendo do caso, pode ser necessária a ajuda de um psicólogo.
Portanto estejam sempre atentos aos sinais dos seus filhos, e em caso de dúvida, não hesitem em procurar a escola ou um profissional qualificado, assim estarão garantido um desenvolvimento sadio e feliz para seu filho!
Ana Paula Neubauer
Psicóloga- Psicopedagoga